Prós e Contras 31 de Janeiro de 2011
Posso não perceber nada de educação. Provavelmente é isso mesmo mas, sou pai e contribuinte.
A mim pouco importa se as escolas são públicas se são privadas. Importa-me mais saber quanto custam. Importa-me também saber em que condições ensinam.
E já agora, importa-me saber como atingem essas condições.
Vi para tentar perceber o que se está a passar com os estabelecimentos escolares em Portugal.
Chegaram a debate situações concretas, quase pessoais. A objectividade esfumou-se e cada um saiu com a mesma opinião com que entrou.
Ouvi com espanto uma senhora, proprietária/directora de um colégio privado que diz não ter acordos com o estado e sobrevive no mercado.
O que ela não disse, mas eu entendi, é que não há concorrência entre privados. E que não compreende a posição de afrontamento ao ministério da educação.
Que me desculpe a senhora se a interpretei mal.
A opinião que formei foi que;
Quase acusam o estado de não saber ensinar.
Quase querem impor ao estado um mapa escolar que lhes beneficie.
Ok!
Suponhamos que o estado descuide a sua obrigação de ensinar.
Só se constroem novas escolas públicas-más, onde não há privados-bons.
Melhor.
Constroem eles os colégios de excelência com dimensão e condições lhes perpetue a imagem e o estatuto de excelência mas sem a obrigação de ajustar o seu tamanho ao mercado.
E mais. Com a garantia de receber do estado um valor sempre seguro e crescente. Sem sacrifícios. A justificação da sua existência sem argumentos contrários.
Enfim, o paraíso.
Manteriam aquele nicho de mercado e a mais não seriam obrigados. Não há dúvida que seria o paraíso.
A expansão do mercado ficaria então a cargo do estado. Quem não coubesse nos privados apontaria para o público.
Fosse a que distância fosse.
Fossem as condições que fossem.
Aliás. Quanto piores as condições dos públicos, mais estatuto conseguiriam os privados e mais fidelização conseguiriam para o seu mercado.
O paraíso sem dúvida!
A isso não posso chamar iniciativa privada.
O que eles querem mesmo é privar o estado de iniciativa!
Veja esta e outras crónicas em http://josesoluciolino.blogspot.com/
José Soluciolino
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
É tudo uma questão de cópias. Se ao menos copiassem bem!!!
CRÓNICAS DE: josé Soluciolino
Há mais duas cópias das escutas feitas no âmbito do processo Face Oculta que envolvem o primeiro-ministro, José Sócrates, e que escaparam à ordem de destruição do presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Público 28/01/2011
Ao principio pensei que se tratasse da anedota sobre a burocracia.
O chefe de secção chama o amanuense e pede-lhe para destruir duas pastas de documentos.
-Brandão, estas duas pastas. Já tem 5 anos. É para destruir. Óh Brandão, chama o chefe, depois de pensar um pouco. Queima lá isso, mas antes, faz-me 3 cópias de cada documento. Tá bem?
Mas afinal não é anedota.
Como são tantos processos, e os suspeitos são invariavelmente os do costume, as gravações estão em todos os processos, logo, deveria bastar contar os processos e já se saberia quantas cópias existem.
E sabendo quantas cópias existem, bastaria fazer o mesmo número de cópias do despacho que dá ordem de destruição das cópias. Porque é que ninguém manda fazer o serviço de uma vez só? Porquê?
Mas não é só na justiça que se fazem cópias. Também na Injustiça.
O Correio da Manhã volta a falar na Taguspark, sociedade que atribuiu, em 2010, aumentos aos gestores de topo que variam entre 10% e 98%. Este último valor para Rui Pedro Soares.
Parece cópia das notícias de Outubro de 2010 que davam conta de aumentos salariais na CP, CARRIS, Portos de Lisboa e Porto que variaram entre 29 e 65%.
Neste caso trata-se de uma cópia melhorada.
Não é só na justiça e na Injustiça que se fazem cópias. Também na política.
Cópia é a promessa do PSD em formar governo com menos 3 ministérios.
Ainda é cedo para falar mas, cheira-me a cópia de promessas antigas que não passaram disso.
É tudo uma questão de cópias.
José Soluciolino
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Saudade. Uma palavra tão portuguesa!
CRÓNICAS DE: josé Soluciolino
O CDS baba-se. O CDS sonha. O CDS põe-se praticamente de joelhos. O CDS abre os braços e reza pelo milagre.
Paulo Portas quase implora por ser notado.
E declara-se noivo disponível para um casamento antecipado com o PSD.
E adivinha a urgência em assinar um acordo pré-nupcial.
Passos Coelho diz que não está a pensar no assunto. Que não se deve dar lugar à precipitação. Que não há sequer razões para eleições antecipadas.
Como bem se sabe, em política, não, muitas vezes quer dizer talvez, e talvez, muitas vezes quer dizer sim.
No entanto, enquanto Passos Coelho está a dar tempo para que as sondagens lhe sejam Totalmente favoráveis, Paulo Portas aperta o cerco antes que as mesmas sondagens o deixem sem utilidade.
Todos percebem isso e mesmo assim todos assobiam para o lado.
Alguns chegam a dizer que a queda do governo só se justifica se houver má execução orçamental.
No entanto, estão permanentemente a estudar sondagens para tentar reconhecer alguma tendência favorável ao seu baronato.
O poder deve deixar tantas saudades!
José Soluciolino
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Aos incrédulos, resta investigar para descobrir a verdadeira razão das coisas!
CRÓNICAS DE: josé Soluciolino
Um dos destaques do dia no Sitio http://www.sapo.pt/ é, para além da pequena explosão ocorrida num hotel de cinco estrelas, em Davos, onde está a decorrer o Fórum Económico Mundial, o anuncio de que "o Serviço Nacional de Saúde (SNS) gastou mais de 550 mil euros por dia na comparticipação de psicofármacos só no ano de 2009, num total que ascende a 200 milhões de euros, segundo dados oficiais da Autoridade do Medicamento (Infarmed). Os encargos do SNS com os medicamentos psicofármacos têm vindo a aumentar ao longo dos anos, acompanhando um aumento de consumo deste tipo de remédios destinados ao foro mental."
Parece que houve tentativa de fraude. A polícia está a investigar e já há detenções de farmacêuticos e pessoas ligadas a distribuidores de medicamentos.
Num país em que tudo corre mal, não seria de estranhar que as pessoas andassem deprimidas e mesmo à beira da loucura.
Eu, e muitos como eu, não estranham que o consumo desse tipo de medicamentos cresça exponencialmente.
Parece que os detidos pela Judiciária apostaram nisso.
Com o que não contavam mesmo foi, com a crença genuína que o Governo mantém em relação ao estado do país.
Ao ouvir o Sr. Sócrates dá para ver que eles ainda não acreditam que o país está em crise.
E que não há razões para ser pessimista, nem andar deprimido.
Vai daí, mandaram investigar.
José Soluciolino
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Afinal também eu sou da geração NEM NEM. Nem funcionário público, nem da privada!
CRÓNICAS DE: josé Soluciolino
Ontem, terça-feira, mais de metade da empresa onde trabalho parou para ler uma "NOTA INFORMATIVA".
Nunca em tempo algum, uma nota informativa teve tal efeito num conjunto tão vasto de pessoas.
É que parou mesmo tudo.
A nota informativa começa assim;
Caros Colaboradores,
O que a meu ver deveria ser, Baratos Colaboradores, já que ficamos um pouquinho mais económicos. Era sobre isso. A redução dos salários.
E por falar em baratos, ocorreu-me um pensamento, nesta minha cabecinha pensante, que até me admiro como consigo pensar depois de ler as notícias materializadas na dita nota informativa.
Tenho três patrões. Um Estado e dois Privados.
O Estado, todos sabemos, está pobre, quase falido.
Quanto aos privados, a coisa já é diferente. Não estão pobres e muito menos falidos, no entanto, vão conseguir, sem esforço algum, o que nenhuma negociação salarial alguma vez lhes permitiu alcançar. Salários de crescimento negativo.
E só por serem patrões de dois tipos de funcionários:
Os que vão, com muito desagrado, chatear-lhes, e incomodar-lhes com reivindicações e discussões sobre aumentos salariais e regalias e tempos de trabalho e produtividade e outras contrariedades.
E em simultâneo, os que por artes mágicas da lei são, nem públicos nem privados, não terão espaço de negociação. O que foi decidido, foi decidido, e não há nada a discutir.
O incrível não é tanto o ganho dos privados.
É a sua natureza.
O incrível mesmo é a confirmação da regra que se aplica às ditas parcerias público privadas. Sei que não se trata do caso. Mas que se aplica a regra, lá isso aplica!
É que nesse mesmo dia foi anunciada a intenção do governo dos Açores de aplicar às empresas regionais de capitais públicos a mesma compensação aplicada à função pública.
Genericamente, ganham os privados. Sobrecarrega-se o público.
O que também acho incrível, é a constatação de parte da compensação que me possa ser atribuída, será financiada por mim e até pelos que ganham menos que 1 500€. Por todos os que pagam impostos. Genial!
Fomos preparados para isto com umas reuniões informais sobre "a mudança". Favor ver a crónica de 23 de Novembro de 2010 "Estava tudo calmo. Até que alguém falou na palavra mágica"
Fomos preparados com comunicações internas sobre A Aplicação da Lei do Orçamento Geral do Estado para 2011.
Reconheço que fomos preparados. Mas uma coisa é ouvir falar e outra coisa é ler no papel. E ver na folha de ordenado? Aí é que não há preparação que nos valha.
Apesar de não ser jovem, também me incluo na geração NEM NEM.
Nem funcionário público, nem da privada.
José Soluciolino
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Abstenção. Velha senhora que vai a todas!
CRÓNICAS DE: josé Soluciolino
Um Inglês maluco anda a espalhar a ideia que é possível calcular o dia mais deprimente do ano.
Segundo a formula que ele usa, esse dia foi ontem.
Não é possível!
Tenho conhecimento de pelo três pessoas que estão em fase de depressão. A coisa não lhes correu bem.
Mas em contrapartida, há dois que não cabem em si de contentes. Por razões aparentemente diferentes.
Um, que nada tinha a perder, conseguiu o inimaginável. Os 4,5% de Srº Coelho são uma alegria imensa. Eu ri a bandeiras despregadas.
O outro. O verdadeiro vencedor, apesar de ter ficado em 2º lugar, e de não ter conseguido aguentar a taxa de juro da "dívida soberana", que voltou a subir acima dos 7%, pode esticar os indicadores e abrir o sorriso por mais cinco anos.
Ainda p'ra mais foi elogiado pelo grande irmão amarelo.
A China felicitou Aníbal Cavaco Silva pela vitória nas eleições de domingo, e qualificou o presidente português como "um velho amigo do povo chinês". Negócios online 25/01/2011
Com um velho amigo como este, quem é que pode estar deprimido?
Como vêem, o inglês não tem razão. A formula não tem aplicação universal.
Nota final:
Se ficaram em dúvida sobre a referência ao 2º lugar, esclareço.
Em primeiro ficou a Abstenção. Velha senhora que vai a todas!
José Soluciolino
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Políticos. São cada vez mais os que não os querem, nem pintados!
CRÓNICAS DE: josé Soluciolino
A verdade é que mais de metade dos portugueses que poderiam votar optaram por fazer renda de bilros, escrever cartas ao pai natal, jogar à sueca, verificar a chave do Euromilhões , ir ao café, dar a volta dos tristes, enfim, o normal para um fim de semana frio e sem dinheiro.
Eu, esperava uma comemoração de arromba. Com multidão, discurso de vitória, mas nada. Bem pelo contrário.
Pareceu-me até que a campanha não tinha acabado tais eram as promessas disto e promessas daquilo e que é a verdade contra a calúnia e que é a honra contra o insulto e que são cinco contra um e que os portugueses conhecem-me e eu cansei-me. Fiz zaping para o canal Hollywood.
O que me ficou na memória, e que os jornais de hoje não deixam esquecer são os números dos auto-excluídos. Abstenção 53.3%, Brancos 4.26%, Nulos 1.93%.
5 166 565 pessoas pura e simplesmente, não quiseram.
279 272 pessoas saíram de casa, desfiaram o vento, a chuva, o frio, só para dizer que não acreditam.
Os políticos tentam explicar a abstenção com a falha do cartão único. Não é verdade.
Deveriam olhar bem para os 4,26 e também para os 1,93.
São mesmo pessoas que afirmativamente não os querem, nem pintados!
José Soluciolino
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