segunda-feira, 11 de julho de 2011

Gritos para gente surda ou os gritos de gente surda?

A dívida. A notação. O Rating.
O fim de semana a ouvir falar no assunto e mesmo assim, nada!
Começo a ficar preocupado comigo próprio. Não percebo nada do assunto.
E começo a ficar preocupado também com os outros, que aparentemente, também não percebem  nada do assunto.

Colocou-se  a dúvida sobre a credibilidade das agências de Rating.
Há quem diga que são credíveis, outros tem opinião contrária.

Em qualquer dos casos, as notações que eram letra de lei para quem defendia e defende  a total liberalização da economia e, para os que não a defendem, mas que mesmo assim as aceitam, porque até dar jeito, são, dizia eu, em ambos os casos ouvidas com muito cuidado.
Quem as discute são também os primeiros a justificar os enganos com o argumento de "as agências limitam-se a dar opinião".
E é por isso que estou preocupado. Não consigo perceber quem está certo e que está errado.

De uma coisa tenho a certeza.
Gritam-nos aos ouvidos taxas de juro e com o tempo, começamos a aceitar.

Como é que me posso fazer entender?
Por exemplo:
Se numa praia fluvial alguém gritar com força e convicção suficiente "Tubarão!", acredito numa reacção imediata, mesmo de quem nunca tenha visto um tubarão.

É que, não interessa o que se grita. Interessa mais a convicção.

José Soluciolino

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A fábula dos Super homens ou os mágicos do tempo.

Era uma vez um reino com senhores tão bons e tão fortes que tudo podiam. Tudo ou quase tudo.
Quase tudo. Assim é que é. Podiam quase tudo.

Era uma vez um reino com senhores que podiam quase tudo.
Conseguiam, com uma capacidade sobre-humana, a realização de muitas tarefas em simultâneo. Conseguiam manter-se sentados uma enormidade de tempo, enquanto descontraidamente assistiam a discussões e anuíam gravemente com algumas das opiniões que escutavam.
E ainda, sem que aparentassem grande esforço, rabiscavam aqui e ali, nos cantos de folhas meticulosamente dispostas em montinhos de 9, ou 25, ou 3, ou 17, ou de outras variadíssimos quantidades, assinaturas de uma beleza e elegância só atingíveis por homens muito bons e muito fortes. Impressionante, a capacidade que demonstravam.
Aos infelizes que ainda assim não lhes atribuíam grande valor, restava a inveja reprimida da leitura incrédula de nomeações e autorizações administrativas que oficialmente investiam naqueles homens, aqueles poderes para beneficio do povo do reino.
Era uma vez um reino com muita sorte por ter tantos homens tão bons e tão fortes.

Curta, esta fábula.
Produto de uma conversa que ouvi acidentalmente entre dois alienados que tomavam chá gelado em copos de plástico.
Acabei por tomar o resto d'um café sem açúcar e afastei-me a imaginar se aquela conversa maluca tinha alguma ligação mesmo que remota com notícias reais.
Quem sabe?
Mesmo de malucos alienados, é sempre possível algum momento de ligação à realidade.

José Soluciolino

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Há males da vista que nem com óculos... e nem lentes de aumentar!

Todo o dia de ontem esperei por uma forte reacção à classificação da dívida portuguesa. Quase nada.  Fraco até.
Surpresa, admiração, dores de estômago e de outras partes do corpo, sim. Mas, reacção a sério, de quem tem por mais alta missão a defesa da soberania, dos valores e integridade nacional, muito pouco.
Mais fortes e convincentes foram algumas reacções vindas do exterior.
Incrivelmente de alguns daqueles que muito ganham com a nossa desgraça.

Os abutres da Moody's, por sua vez, reafirmam a classificação e até referem que tiveram em conta as mais recentes medidas de austeridade.

E eu quase aposto que  quem, no tempo de Sócrates , nos penalizou por falta de coragem e de medidas de controlo sobre as contas nacionais, serão os mesmos que num futuro muito breve vão  classificar-nos com o inqualificável com o pretexto do excesso nas medidas de controlo da despesa.
Dirão eles que paramos tanto a economia que já não a temos.

É o famoso; preso por ter cão e preso por não o ter.

É pena que há muito pouco tempo, ninguém classificava a actuação dos agências de rating como agora se vê por exemplo,  na capa do O Primeiro de Janeiro.

Chego á conclusão que a visão sobre certos assuntos só é afectada pelo brilho das cores políticas. E não há óculos para esse mal.

José Soluciolino

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O mundo é mesmo uma bola que gira. Mas não nas mãos de uma criança!!

As más notícias não param.
E foi por isso que fui à procura outros motivos para escrever a crónica de hoje.
Não foi difícil. E digo mais, no que me toca, a pesquisa revelou-se bastante satisfatória.

Mão direita revela tamanho do pénis
Depois de anos de curiosas especulações, um estudo realizado por um grupo de urologistas da Coreia do Sul vem desmistificar o tamanho do órgão sexual masculino e a conclusão é surpreendente: quanto menor for a diferença de comprimento entre o dedo anelar e o indicador da mão direita, maior é o pénis.
Correio da manhã, de ontem. Que o de hoje é só más notícias

E foi esta notícia que seleccionei. Mesmo ao lado de uma caixinha sobre a Soraia Chaves, que eu até não conheço mas, a avaliar pela fotografia que acompanha o texto é moça para ser bastante gira.
Tipo gira e torna a girar, gira sem parar!

Nota final:
Aos cavalheiros que leram isto, um conselho. Disfarcem.
Por maior que seja a tentação façam as vossas medições de forma discreta. Disfarcem.

José Soluciolino

terça-feira, 5 de julho de 2011

Há borbulhas que incomodam. Outras são mesmo uma grande chaga!

Eu vi o Prós e Contras com o tema SEM ILUSÕES.
Apesar de todos tentarem "descomparar" o caso Português com o caso Grego e com o caso Irlandês, a ideia principal que fica é que não nos livramos de uma grande aflição.

O slogan "Apertar o cinto" nem fará sentido. Vamos perder o cinto que aguentava as calças. Vamos ficar mesmo com as calças na mão.

O Sr. Pires de Lima da UNICER, que volta e meia faz viagens a Angola e, volta e meia faz viagens a Portugal, lá estava, a discutir e a "descomparar".
Porque é que falo nele?
E agora uma resposta tipo aluno de 4ª classe,
Falo nele porque...porque...
Olha. Porque ele disse que os Portugueses iriam passar por um período de algum incómodo.
Incómodo disse ele! Incómodo!
Incómodo é quando alguém passa frente à televisão quando o filme está na melhor cena.
Incómodo é quando alguém volta a passar na 2º melhor cena.

E é essa a opinião que alguns figurões tem da crise que aí vem!
Um incómodo!

José Soluciolino

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A precipitação incomoda. Mesmo quando não se trata de chuva!

A banca. O encerramento de balcões. O BES. O Sr. Ricardo Salgado. O que ele disse quando, em contra ciclo, abria mais um balcão nos Açores.
Uma conversa entre amigos que eu não conheço. O que eu ouvi dessa conversa. O que eu entendi dessa conversa.

Deixemo-nos de conversa.

A banca a financiar-se a juros três e quatro vezes acima do habitual, a quem está a emprestar? A quem lhe dará jeito emprestar?
Aos privados para habitação?
A actividades de investimento de retorno demorado?
Com os juros regulados tão por baixo, não ganham nenhum mesmo triplicando os spread's, mesmo cortando na parcela a financiar, mesmo segurando o crédito.
O lucro não é satisfatório.
Então, onde vender o dinheiro?
No crédito ao consumo disse o interlocutor que eu ouvia disfarçadamente.
No crédito de curto prazo onde o lucro é bem avantajado e o tempo de reembolso é mais rápido.
No crédito onde os montantes em risco são pequenos, muito dispersos, e com menor impacto para os bancos, quando, para desgraça do papalvo, algo corre mal.

Ouvido isto, a conversa continuava já só entre os amigos que eu desconhecia.

Desligados os ouvidos ocupava-me agora na validação daqueles argumentos.
Sem certeza nenhuma só recordava a voz muito simpática da uma menina de um call center que na véspera me ofereceu um serviço bancário que eu recusei sem o chegar a conhecer.
Ouvida  a conversa daqueles dois amigos que eu não conheço, reconheço que teria sido útil ver até que ponto me levaria a conversa telefónica com aquela voz tão simpática.

Fica p'rá próxima. Está decidido.

José Soluciolino

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Na verdade, amor com amor se paga. E isto não é uma repetição!

António Saraiva, da CIP, espera um aumento da taxa máxima de IVA, o que será uma "tsunami" para as empresas.
"Provavelmente vamos ter na taxa máxima algum aumento. Não tenho sensibilidade para dizer se será 24 se será 25, mas a leitura que faço é que, provavelmente, a taxa máxima será mexida", disse ontem António Saraiva durante uma tertúlia na Figueira da Foz, citado pela agência Lusa. "Se me perguntarem a opinião, eu acho que não há muita saída a não ser ir por aí, aumentar a taxa máxima", apontou
Económico com Lusa   30/06/11 09:51
Apraz-me fazer o seguinte comentário.

As declarações foram feitas numa tertúlia.
Ninguém lhe perguntou nada, palavras dele, mas mesmo assim deu opinião.
Como até tem esperança de ver reduzida a TSU, paga pelos patrões, em pelo menos 4% e, como até é no IVA que se espera a recuperação do valor perdido na TSU, e como até vê no programa do governo a promessa d'uma alteração significativa nos mecanismo de reembolso do IVA e, como até o IVA é neutro em relação ás importações e exportações, faz-se ameaçado e faz um favor ao governo, anunciando por ele (governo) um aumento da taxa máxima do IVA.
Não é por nada mas, estou a ouvir a intervenção do PM, Srº Pedro Passos, no parlamento onde, até foi aplaudido quando afirmou que as más notícias dava-as ele próprio.

Recordei imediatamente a crónica Há palavras mais difíceis do que outras. Reestruturação é das mais fáceis. do dia 10/05/2011
Para não me repetir, pesquisei umas coisinhas e, cá está.
Jornal de Notícias 2011/05/08
A diminuição da taxa social única proposta pelo PSD será conseguida através de uma "reestruturação do IVA" que "já estava no PEC 4", afirmou o social-democrata Carlos Moedas.
"Reestruturar o IVA é pegar naquilo que são taxas, as baixa, média e alta, passar de umas para as outras e obtêm-se receitas. A diferença é que se o Governo o fizer vai utilizar apenas essa receita para engordar o Estado, e nós vamos usar para baixar a taxa social única", defendeu.

Na verdade, amor com amor se paga!
PS- Entretanto caiu a bomba dos 50% do Subsídio de Natal e o próprio António Saraiva ficou surpreendido. Há um bichinho que me diz que a opinião que deu na tal tertúlia fará parte de uma outra bomba. A explodir um pouco mais tarde!

José Soluciolino