quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Megafundos para buracos sem fundo, vão-nos levar mais fundo.

A criação de um megafundo imobiliário de oito mil milhões de euros, com dinheiro do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia, é uma das propostas do economista Augusto Mateus para resolver parte dos problemas de liquidez do sistema financeiro português. O ex-ministro da Economia lançou a ideia deste fundo que seria composto por imóveis de proprietários que conhecem dificuldades para pagar os seus empréstimos à banca, mas também de património do Estado, como instalações hospitalares e quartéis que deixaram ou irão deixar de ter essas funções. Seria possível captar 200 a 300 mil proprietários de imóveis, que transformariam as hipotecas na banca em arrendamento no dito fundo, e com benefícios para todas as partes.
Pelas contas de Augusto Mateus, "Se for paga uma renda mensal de 4,5% sobre 100 mil, dá 4.500 euros anuais. Isto representa um valor inferior a 400 euros mensais de renda no fundo". O fundo tem de ser inicialmente público, mas poderia integrar privados numa segunda fase. "Este fundo poderia captar poupanças do exterior, e gerir importantes operações de urbanismo", conclui o antigo governante

Grande ideia. Trazer para os bancos dinheirinho fresco, todos os meses, continuar a vazar os bolsos de quem se entregou a gerentes de balcão ávidos de cumprir objectivos, criar um novo ramo de negócio, quem sabe, inventar uma nova tipologia de seguro “ garantia de renda?”, continuar como dono dos imóveis envolvidos, enfim resolver, pelo menos em parte, o malogro do milagre económico que forjaram durante tanto tempo.

Mais uma vez, o risco inicial seria público. Mais uma vez, os privados entrariam quando a coisa começasse a resultar bem. Mais uma vez o mesmo que das outras vezes.

400 € de renda para um imóvel de 100 mil €? Quantos imóveis de 100 mil € foram avaliados pelos bancos por 100 mil €? E o fundo serviria para gerir importantes operações de urbanismo? Mas querem mesmo mais operações de urbanismo? Já não basta de casas novas sem comprador? Querem mais?

Juízo, senhores.
Utilizem o dinheiro da troika para resolver os problemas da economia.
Os problemas financeiros, que resolvam eles mesmos os problemas que eles mesmos criaram.
Já não basta o BPN? Não?!                           

Nota final:
parece que o valor do caso BPN é muito próximo do que se pretende para o tal megafundo.

O grupo parlamentar do BE, solicitou, a 1 de Setembro, informações sobre os montantes das injecções de dinheiro no BPN. Em resposta, o Governo informou que «a dívida garantida pelo Estado ao BPN» ronda os 4,5 mil milhões de euros.
Porém, garante o BE, no relatório da proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano, o Governo revela que aquele montante chega na verdade aos 8,5 mil milhões de euros.

Nota finalíssima:
nenhuma destas decisões são colocadas ao escrutínio democrático e popular.
Porque será?


José Soluciolino

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