CRÓNICAS DE: josé Soluciolino
Hoje, é dia de guerra de números sobre a greve.
Os sindicatos apontam para 3 milhões. Os governantes, cada um uma coisa diferente.
O Srº Vieira da Silva (ministro da economia) diz que o impacto foi muito pequeno mas não sabe valorizar essa pequenez.
Já a Srª Helena André (ministra do trabalho) diz que, Se Portugal tem registados 4,962 milhões de trabalhadores e desses, 3 milhões parassem, o país teria parado. Tá certo.
Por outro lado o Srº Gonçalo Castilho dos Santos (secretário de estado da administração pública) aponta que apenas 29% aderiram à greve e conseguiu quantificar até à unidade o número de trabalhadores da administração pública directa e indirecta. O número mágico foi 121.358 trabalhadores. Bravo!
Como as centrais sindicais falavam em cerca de um milhão de funcionários públicos em greve, o Srº Gonçalo veio logo contrapor que o estado emprega apenas 835.000.
Peguei logo na máquina de calcular.
Assumindo que as centrais sindicais podem também eles, cometer um erro com a mesma grandeza, voltei à máquina de calcular.
São portanto 1 milhão e 500 mil (escrito assim fica mais giro) de trabalhadores, votantes, que apesar de todas as dificuldades que a vida lhes apresenta, perderam um dia de salário para mostrar o que pensam da governação.
Sabendo ainda que nas últimas eleições legislativas, o governo minoritário obteve 97 lugares do parlamento com 36,55% dos votos, e que esses votos corresponderam a 2 milhões e 77 mil e 695 pessoas (assim é mesmo giro), imagine-se então o que farão as pessoas votantes, nas próximas eleições legislativas, que não precisarão de perder um dia de salário para castigar o governo - Imagine-se o que farão!!?
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